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Google Discover em 2026: o que mudou nos critérios de elegibilidade

Fevereiro trouxe a primeira atualização de algoritmo dedicada ao Discover, e junho trouxe os Search Profiles. Veja o que de fato mudou nos critérios de elegibilidade e o que ainda funciona para portais regionais.

Gabriel Novaes
Google Discover em 2026: o que mudou nos critérios de elegibilidade
Google Discover em 2026: o que mudou nos critérios de elegibilidade

Quem administra um portal de notícias sabe que o Google Discover sempre foi um pouco imprevisível: o tráfego vem em picos, sem depender de busca ativa do leitor, e os critérios nunca foram tão claros quanto os de SEO tradicional. Em 2026 essa imprevisibilidade ganhou contornos mais definidos — o Google publicou mudanças explícitas nos critérios de elegibilidade e lançou recursos novos dentro do feed. Vale entender o que mudou de fato.

A atualização principal de fevereiro

Em 5 de fevereiro de 2026, o Google lançou a primeira atualização de algoritmo dedicada exclusivamente ao Discover. Segundo o próprio anúncio oficial, o objetivo era mostrar conteúdo mais relevante localmente, reduzir sensacionalismo e clickbait, e priorizar matérias originais e detalhadas de sites com experiência comprovada em um assunto.

O ponto mais relevante para portais menores: a avaliação de autoridade deixou de ser feita apenas no nível do domínio inteiro e passou a considerar a experiência tópico a tópico. Na prática, um portal regional com uma cobertura consistente sobre um tema específico — agronegócio, política municipal, um setor econômico local — pode aparecer no Discover tanto quanto um grande veículo nacional, desde que demonstre profundidade naquele assunto.

Menos espaço para clickbait

A puníção a títulos sensacionalistas, miniaturas enganosas e manchetes que escondem a informação principal para forçar o clique deixou de ser uma diretriz genérica e passou a ser aplicada de forma mais ativa. Isso muda a lógica de quem ainda escreve títulos pensando primeiro em gerar curiosidade e só depois em informar.

Na prática, funciona melhor um título que já entrega o fato central da matéria do que um que promete uma resposta sem dizer qual é. A lógica se aproxima da usada em SEO clássico havia anos, mas agora vale também para o Discover.

O fim do botão "Seguir" e a chegada dos Search Profiles

O recurso antigo de "seguir" uma fonte diretamente no feed do Discover saiu do ar. Em seu lugar, o Google lançou em 4 de junho de 2026 os chamados Search Profiles: páginas dedicadas onde publishers e criadores podem centralizar matérias, vídeos e posts de redes sociais, com um botão de seguir que passa a influenciar diretamente o que aparece no Discover de cada leitor.

Aqui entra um ponto importante para a maioria dos portais regionais: a elegíbilidade inicial dos Search Profiles é restrita. É preciso ter pelo menos 100 mil seguidores em YouTube, Instagram ou X, ou 300 mil no TikTok, além de presença nos Estados Unidos no lançamento. Ou seja: por enquanto, é um recurso pensado para grandes marcas de mídia e criadores com audiência consolidada em redes sociais — não para a maioria dos portais brasileiros de menor porte. O Google já sinalizou que a elegíbilidade deve se expandir com o tempo, mas isso ainda não tem data.

O que ainda funciona

  • Conteúdo original e apurado. As mudanças de 2026 reforçam, não substituem, o critério mais antigo do Discover: matéria que agrega informação nova tem mais chance de aparecer do que a que resume o que já foi publicado em outro lugar — a mesma lógica que vale para aparecer bem em respostas de IA generativa.
  • Imagens de qualidade. O Discover continua sendo um feed visual — imagens de destaque em alta resolução e relevantes para o conteúdo seguem pesando na seleção.
  • Atualidade. Conteúdo publicado com timing relevante para o momento (não necessariamente breaking news, mas assuntos em pauta) continua tendo vantagem.
  • Consistência por tema. Cobrir um assunto de forma regular, e não só ocasional, ajuda o Google a reconhecer a experiência tópica mencionada acima.

Erros comuns que ainda derrubam o desempenho

  • Títulos que escondem a informação central da matéria para forçar o clique.
  • Imagens de capa genéricas, com baixa resolução ou sem relação direta com o texto.
  • Depender de um único grande tema esporadicamente, sem construír histórico de cobertura naquele assunto.
  • Ignorar o Search Console: o relatório de desempenho do Discover ali continua sendo a fonte mais confiável para entender o que está funcionando no seu portal específico — médias gerais do mercado servem de referência, mas não substituem os próprios dados.

O que fica de lição

As mudanças de 2026 no Discover seguem uma direção clara: menos peso para o tamanho da marca, mais peso para a profundidade real da cobertura em cada assunto. Para portais regionais e de nicho, isso é uma boa notícia — desde que a produção de conteúdo seja consistente e evite os atalhos de título chamativo que o algoritmo agora penaliza com mais rigor. Já os Search Profiles, por enquanto, seguem fora do alcance da maioria — vale acompanhar, mas não vale planejar a estratégia em cima deles ainda.


Quer ajuda para estruturar o conteúdo do seu portal para o Discover e as demais mudanças de busca em 2026? Fale com a equipe do dothNews.