Austrália pressiona por pagamento de notícias e plataformas reagem

Depois de a Europa acirrar a disputa com gigantes da tecnologia pelo pagamento de notícias, a crise chegou até a Oceania. A Austrália criou uma lei que obriga o pagamento às empresas que produzem notícias e houve reação ao aprovar a proposta na Câmara dos Representantes. O Google apresentou um acordo, mas o Facebook decidiu bloquear as notícias do país na rede social. 

A Austrália criou o Código de Negociação para a Comunicação Social que ainda deve passar pelo Senado e sanção do Governo para entrar em vigor. O país pode ser o primeiro do mundo a adotar uma lei que obriga o pagamento de notícias. Vários outros estão com propostas em andamento, como o Reino Unido, por exemplo. 

Reação extrema do Facebook

Antes mesmo de a lei entrar em vigor, o Facebook decidiu reagir. A partir de 18 de fevereiro, o compartilhamento e leitura de notícias na rede social está proibido na Austrália. A decisão afetou páginas de jornais, do governo e de instituições de caridade. Informações sobre a pandemia de Covis-19 também foram afetadas, mas a plataforma disse que irá rever casos específicos. 

Em comunicado oficial, o Facebook disse que o objetivo é limitar o compartilhamento de notícias por editores ou empresas de notícias. Também afirmou que foi forçado a bloquear o conteúdo, por não ter definições claras sobre o pagamento de notícias a partir da nova lei, ainda não aprovada. Ainda de acordo com a empresa, a reação diferente entre as plataformas se dá devido a relação de cada uma com as notícias. 

A ferramenta de pesquisa do Google  tem relação direta com as notícias, o que fez a gigante propor um acordo. Enquanto isso, o Facebook alega que os editores compartilham de forma espontânea e para aumentar o alcance das notícias na rede social. Dessa forma, não concorda com o pagamento de notícias. 

Google propõe acordo milionário

Em janeiro, quando a proposta do governo Australiano começou a avançar, o Google ameaçou bloquear o serviço de buscador no país. Porém, recusou da ameaça e cedeu a um acordo milionário. O Google está fechando acordos com empresas de comunicação pelo pagamento de notícias. 

Com a empresa Nine Entertainment o acordo soma 30 milhões de dólares e dará ao Google acesso às notícias produzidas, em diversos formatos. A gigante de tecnologia também firmou acordos com outras duas empresas até o momento, a News Corporation e a Seven West Media. 

Pagamento de notícias e a crise mundial

Por sua vez, o governo australiano acusa o Facebook de ter tomado uma ação autoritária e com tentativa de intimidar o parlamento. Classificou como desnecessária a ação e afirmou ainda que isso vai prejudicar a reputação do Facebook na Austrália, mas que o Governo não vai se deixar intimidar. 

O pagamento por notícias tem gerado uma crise mundial entre governos e as gigantes da tecnologia. Vários países se mobilizam para criar leis que obriguem a remuneração, enquanto as plataformas encontram maneiras para definir acordos com empresas de jornalismo. Na Europa a disputa está acirrada, e países como França e Reino Unido estão negociando com as plataformas.