Cresce a violência contra jornalistas no Brasil em 2020

Em 2020, a pandemia contribuiu para que o jornalismo recuperasse parte de sua credibilidade. Mas também foi quando os ataques aos profissionais da imprensa atingiram níveis históricos no Brasil. Relatório sobre a violência contra jornalistas em 2020 mostra uma explosão de casos, com aumento de 105% em relação a 2019.

Levantamento feito pela Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas), o relatório mostra o aumento expressivo da violência contra jornalistas no Brasil. Foram registrados 428 casos no ano passado. Em 2019 foram 208 casos e apesar de muito menores que os números do ano seguinte, já representavam alta na comparação com 2018.

Os dados são coletados conforme denúncias de violência contra jornalistas feitas diretamente para a Fenaj ou nos sindicatos estaduais. Apesar de expressivo e alarmante, a própria federação admite que os números reais podem ser ainda maiores. Ao considerar que muitos jornalistas não denunciam a violência sofrida, geralmente por medo de represálias.

Negacionismo e o aumento da violência contra jornalistas

O termo “negacionismo” ganhou repercussão em 2020 para definir aqueles que se recusam a aceitar verdades desconfortáveis. Quem prefere negar a realidade também pode ser chamado de negacionista. Diante da pandemia global e a disseminação em massa das Fake News, muitos se revoltaram contra a imprensa e as notícias diárias sobre o avanço da Covid-19 e suas vítimas.

A Fenaj vê a situação com grande preocupação e alerta para o desrespeito aos jornalistas e à liberdade de imprensa. Entre os casos de violência contra jornalistas, estão casos de censura, ameaças, intimidações, agressões verbais e físicas, impedimentos ao exercício profissional e até mortes.

A presidente Maria José Braga destaca que o registro, pelo segundo ano consecutivo, de mortes de jornalistas, “é evidência concreta de que há insegurança para o exercício da profissão no Brasil”.

De onde parte a violência contra os jornalistas

Grande parte da onda negacionista que se espalha no mundo advém do comportamento de governantes que tentam negar fatos e, assim, descredibilizar a imprensa. O Brasil segue essa tendência, tanto que o relatório de violência contra jornalistas mostra que o presidente da República Jair Bolsonaro é o principal agressor.

De acordo com a Fenaj, em 2020 o presidente protagonizou 175 casos de violência contra jornalistas. O que representa 40,8% das ocorrências registradas no ano inteiro. A maioria dos casos foi em tentativas de descredibilizar a imprensa, mas também há ocorrências de agressão direta e ameaças. 

Em uma reação ao fato, servidores públicos, incluindo dirigentes ocupantes de cargos de livre nomeação, foram os que mais atentaram contra a liberdade de imprensa, depois do presidente. Para a Fenaj as atitudes do presidente repercutem na sociedade, por meio dos seus seguidores, que se “fecham em bolhas de informações falsas ou fraudulentas”. 

Regiões e estados com mais casos registrados

O relatório de violência contra jornalistas avaliou as regiões do país onde se concentram os casos. Devido ao posicionamento do presidente da República, autoridades federais e políticos, o Centro-Oeste lidera com 48,5% dos casos. Na região Sudeste, onde estão os grandes veículos de comunicação, foram 28,2% das ocorrências. Sul, Nordeste e Norte atingiram 10,8%, 6,8% e 5,4%, respectivamente.

Os homens foram maioria entre as vítimas de violência contra jornalistas em 2020. E os repórteres de televisão são os principais alvos de agressão, conforme o relatório.